quinta-feira, junho 21, 2007














Estava a ter um dos mais profundos sonhos quando acordou. Abriu os olhos para se despedir do belo sonho cor-de-rosa e de repente viu que não estava na sua habitual cama. Estava deitada numa cama com lençóis azuis, a garrafa de água estava mesmo ali a jeito para uma eventual emergência.
Olhou em seu redor e só viu coisinhas brancas a passarem lá fora do seu quarto, pareciam carros com toda a pressa do mundo, como se estivessem numa corrida e o prémio fosse a paz eterna.
Viu frascos bem arrumados, as suas bolachinhas preferidas, sacos e a sua roupa pendurada numa cadeira. Estranhou tudo aquilo. Sentiu um enorme cheiro a álcool. Era de facto um hospital. Daí a cinco minutos, uma daquelas coisinhas que ela identificara como carrinhos a andarem a toda a velocidade, aproximou-se dela e espetou-lhe uma agulha no pé e, tirando um dos frascos que lá estavam arrumados, pôs lá o seu sangue. Era uma enfermeira que ignorava completamente os seus gritos de dor, de injustiça e de angústia que sentia. Ela estava a ter um sonho tão agradável por que é que teve de acordar naquele sítio horrível?
A enfermeira como já não aguentava mais os gritos, chamou o Pai da criança e mais uma enfermeira para a ajudar. O Pai apertou-lhe a mão. Com força. Transmitiu todo o Amor que sentia. Naquele momento, pensava ele feliz, que como ainda era uma garota, ela acabaria por se esquecer de tudo isto e acabaria tudo em bem.
Aquela noite acabou bem depressa para ela. A agulha que lhe tinha sido espetada no pé tinha saído e tinha sido espetada outra no braço. Esta era uma anestesia. Mal a criança sabiam o que lhe estavam a fazer enquanto dormia.
Quandou acordou, no dia seguinte, tinha umas dores infernais nas costas. Dores que não paravam fosse qual fosse a posição da menina. Os Pais estavam ali ao pé dela e sorriam-lhe para lhe darem coragem e força. Mas por dentro, eles estavam tão ou mais arruinados que ela. Suportar a dor de um filho é pior que suportar a nossa própria dor.
Passaram-se anos. Muitos anos. Os Pais estão contentes por já ter passado tudo. Foi um pesadelo. A criança agora vive todos os dias como vivem as outras, talvez com a vitória dentro do peito, porque foi uma das únicas. Uma das únicas que sobreviveu e ficou para contar para a história. A criança apenas sabe que um dia teve um pesadelo que durou cinco anos, mas como todos os pesadelos: Apenas aconteceu e acabou!


História Verídica
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segunda-feira, junho 18, 2007



Música Fantástica, video genial e recordações incrivelmente nenhumas =) Excelente!

terça-feira, junho 05, 2007









Cúmplicidade*
Saudades da Fany* [Vives dentro de mim]



sábado, junho 02, 2007




















Há dez anos atrás que entraste na minha vida. Eras gordinho, fofinho com uns olhos enormes e passas-te a ser o mais novinho dentro da família.
À medida que crescemos aproximámo-nos cada vez mais um do outro. Já vivemos muitas coisas juntos, e espero viver ainda mais. Ía para tua casa passar o dia e a seguir ao almoço ías dormir enquanto eu ficava a pintar com a tua mãe, quando acordavas querias sempre fazer o que eu estava a fazer. Lembro-me quando estavas a comer tu pedias-me sempre para te dar à boca. Quando estava contigo, ninguém me substituía. Era eu. Era a mim que me querias. Comçaste a andar e eu estive lá sempre para ver os teus primeiros passos. Quando vinha nas escadas da tua casa, chamavas o meu nome aos gritos com felicidade. Ficavas mais que feliz quando em vez da tua Mãe me encontravas a mim no infantário para te levar para casa.Quando íamos para a terra ías comigo apanhar pedrinhas, beber água à fonte, ajudavas-me a arrumar o quarto e até partilhavas(e ainda hoje partilhas) o quarto comigo.
Até que a nossa relação piorou. Passámos a ser o gato e o rato. Parecia que não nos suportávamos. À mesa nunca podiamos ficar juntos( coisa que sempre aconteceu, seja em festa ou não tu tinhas sempre de ficar ao meu lado). Achava-te um chato e comecei a achar aborrecido estar ao pé de ti. Agora me apercebo que a culpa não foi tua, mas sim minha. A minha entrada na adolescência não foi das mais fáceis, pelo contrário foi a pior fase da minha vida até agora. Tudo parecia correr mal. A vida ensinou-me mais tarde que esse período foi uma barreira para testar se eu estava preparada ou não para a vida. Não foi só contigo que fiquei agressiva, mas foi contigo que me custou mais, pois tu eras criança. Nos dias em que saía de tua casa e dizia “Odeio-te, não quero falar mais contigo” no fundo eu sentia amor. Amor junto de muita raiva. Quando estava assim, não gostava de partilhar o quarto contigo, nem que dormisses na minha casa. Até que um dia soube que disseste à tua Mãe que ficavas triste quando não brincava contigo. Essa foi a gota de água. Chorei bastante quando me apercebi disso. Senti a tua cara magoada quando meu perguntavas se queria brincar contigo e eu dizia que tinha de estudar. Ainda me lembro o que me dizias “Oh prima faz como eu, na 6ª feira quando chegares a casa faz logo os trabalhos todos e no fim-de-semana já podes brincar comigo”.
E descobri que o importante não era afastar-me de ti para não me chamarem criança, mas sim juntar-me a ti para nos chamarem crianças.Hoje apercebo-me que és uma das pessoas mais importantes na minha vida. E amo-te de verdade. Quando estou contigo tento brincar contigo ao máximo, aproveitar bem o tempo, esquecendo-me que o tempo não volta atrás. Nem apaga o passado. Tento passar isso ao lado e esquecer-me o quanto eu já te fiz sofrer.
“Pi”, “Pipa”, “Pima”, “Prrrrrrrrrrrima” e PRIMA foram os nomes que me chamaste até hoje e consigo relembrar-me das fases todas por que passas-te. Das dificuldades de dizer o “r”. Relembro com saudade e orgulho de seres meu PRIMO!Sinto que estás a crescer. E as nossas brincadeiras passam a ser cada vez mais diferentes. Falamos muito mais um com o outro.Apesar das tuas bacuradas claro =b estão todas gravadas cá dentro.. “apostosta” e “calinhos” não vão sair tão depressa da minha memória. Nem sequer os olhos que tu tentas fazer para me imitar e não consegues. Nem os cafés que me pedes e te faço. E as bebidas, a vontade de estares bêbado( que eu sei que tens). E os jogos de cartas que faço contigo, de badminton, de computador..e dos macaquinhos. O nome “Dôgas” que eu te chamo e tu te chateias. As músicas que cantamos. E as maluquerias que fazemos. Últimamente até temos feito muitas.
Quero que saibas(apesar de saber que não vais ler este texto tão cedo) que me és muito. A sério que sim..Estás a tornar-te num belo rapaz. E quero gozar bem a juventude contigo enquanto podemos.

Ps- A montagem foi feita a pensar nos loucos momentos que já passámos juntos!

Amo-te Diogo Filipe Gonçalves Dias =D (nome fatela, mas sai a ti) =b
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